Source: ponto final

 

Estudo mostra que os problemas de trânsito, a superpopulação e o aumento do custo de vida são o lado mau da forma como a cidade tem administrado a sua economia – há cada vez mais queixas dos habitantes.

Rodrigo de Matos

rmatos.pontofinal@gmail.com

Os cidadãos de Macau estão cada vez mais a demonstrar sentimentos negativos em relação à indústria do turismo na cidade. Ainda que reconheçam que o sector proporcione o alívio económico que a região vive, com a criação de empregos, etc., a verdade é que o impacte das enormes massas de visitantes sobre a qualidade de vida das pessoas locais no dia-a-dia não deixa ninguém indiferente e tem contribuído para um agravar da preocupação e decepção geral, conclui um estudo recente.

“O que observamos em Macau actualmente é preocupante”, considera Glenn McCartney, professor de gestão de hotelaria e jogo na Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, que orientou os alunos de mestrado que realizaram as pesquisas no terreno que deram origem ao relatório “House of Cards – An analysis of Macao’s resident support for tourism and casino development” (Castelo de Cartas – Uma análise ao apoio dos residentes de Macau ao desenvolvimento do turismo e casinos). “De acordo com os nossos inquéritos, realizados em vários bairros de Macau, os residentes estão cada vez mais a adquirir sentimentos negativos em relação ao turismo em Macau”, revelou o académico, em conversa com o PONTO FINAL.

Os aborrecimentos do dia-a-dia

A tendência observada é particularmente grave tendo em conta que a indústria do turismo e hotelaria contribui com mais de 90 por cento do PIB e é a principal criadora de emprego na cidade. Na raiz do sentimento negativo estão, por ordem de importância, factores como os problemas de trânsito, a superpopulação e o aumento do custo de vida, que as pessoas tendem a considerar serem consequências directas da actuação da indústria do turismo, explica McCartney. “As pessoas sentem na pele essas consequências quando vão de manhã para o trabalho”, observa. “A resolução desses problemas tem de saltar para a nossa agenda urgentemente. Macau é muito boa a promover o seu turismo, mas deixa muito a desejar no que diz respeito a gerir e a planear o turismo. É preciso saber-se à partida o que se vai fazer daqui a 10 ou 20 anos.”

Para que Macau possa ter uma economia bem sucedida e em harmonia com a sociedade, considera o professor, é vital reconquistar a simpatia das pessoas. “No centro do sucesso está o apoio da população local”, sublinha.